quinta-feira, 3 de junho de 2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

MEU BLOG - "EU  PENSO  ASSIM:"
PARA MEDITAR

"SER É TER-SE... TER-SE É SER"

TEXTO - VERDES E "VERDES"... DOS OLHOS E DO OLHAR

TEXTO -   VERDES  E  "VERDES"... DOS  OLHOS  E  DO OLHAR

V E R D E S  E  "V E R D E S"... D O S  O L H O S  E  D O  O L H A R

“Verde” que quero sentir-te e ter-te nos olhos e no olhar de quem me olha. No verde dos olhos, que fascina, e que nos remete à sensualidade que esse verde inspira.

“Verde” do olhar que emite a opulência da esperança, à qual esse “verde” remete quem mora por detrás do azul, do cinza, do negro, do castanho..., ou do verde dos olhos que vêm.

Também, é minha sedutora ganância ser e ter esses verdes e “verdes”, dos olhos e dos olhares. Ser sedutor e seduzir com os olhos e com o olhar, viver de esperança e fazer viver a esperança em todos que virem o “verde” dos olhos “verdes”, e sentirem que, mesmo azuis, cinzas, castanhos, negros..., ou verdes, “verde” é o que transmite o “verde” olhar.

E esse verdadeiro “verde”, lindo, e que tem e projeta vida, tem que estar no olhar, tanto de quem vê através deles, quanto no de quem esses olhos vê, e não só no azul, no castanho, no negro, no cinza..., ou no verde dos olhos que vêem.
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"TODOS OS MOMENTOS, POR MAIS DURADOUROS E PROFÍCUOS QUE SEJAM, SÃO EFÊMEROS E TEMPORAIS.
SÓ DEUS, NO MOMENTO DA CRIAÇÃO, CRIOU O ÚNICO MOMENTO ETERNO E ATEMPORAL." 20/ 10/ 1998
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"O muito que fui foi pouco, e o pouco que não fui, foi muito."09/ 08/ 09
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"Aquela pequena onda se debruçou sobre a areia da praia, rolou até meus pés, e desapareceu dizendo: “sou o final desse imenso, misterioso e imponente oceano que, indigente, morre aqui.”" 26/ 10/ 08
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"Mente sã mais corpo incompleto = corpo perfeito." 26/ 10/ 08
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"É muito ruim se sentir velho por fora, porém, muito pior e até letal, é sentir-se velho por dentro." 09/ 10/ 08
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Existem 3 universos distintos.
São eles:

1 - O MATERIAL – que é constituído pelos satélites, planetas, astros, etc., mais toda matéria que neles ou fora deles existe.

2 - O MENTAL – que é aquele que imaginamos e temos certeza que ele existe, onde e como, e nele se incorpora o intelectual.

3 - O ESPIRITUAL – que é aquele que imaginamos, mas não sabemos como ele existe, como ele é, onde está, porém, sentimos que ele existe. Ex. Deus. 24/ 11/ 08
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"Amor. Prá que estudá-lo, discutí-lo, tentar definí-lo?...
Melhor é simplesmente encontrá-lo e vive-lo. Ele nasce quando nascemos e pode crescer à medida que crescemos, e não morrerá quando morrermos." 24/ 11/ 08
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"Viver é um fato.
Morrer é um fato inevitável.
Fazer-se viver depois da morte, é uma arte." 24/ 11/ 08
PARA MEDITAR

"Se quiser ajudar alguém, tome-o pela mão, caminhe junto com ele alguns passos do caminho que ele deverá seguir, depois solte-o, senão ele nunca será ele. Será você." 26/ 11/ 08
PARA MEDITAR


"Trabalhe como se estivesse em férias, e goze as férias como se as estivesse realmente gozando." 26/ 11/ 08
PARA MEDITAR

"Se um dia estiveres num mato sem cachorro, então procure um gato, ou um rato...
Se não achares nenhum deles, procure lógo um leão e tente lhe afagar a juba.
Garanto que ele o fará livre da carência; do cachorro, do gato, do rato..." 10/ 02/ 10
PARA MEDITAR  -  Questionamentos


"Afinal, quem somos... De onde viemos... Para onde vamos... Por que existimos...?
Pai. Se a permanência dos Mistérios for a Vossa Vontade, se queres que só em Tuas Mãos essas respostas estejam, então Senhor, permaneceremos em conflito sempre, porque a humanidade nunca deixará de se questionar. E as respostas que encontrará serão sempre e sempre novas perguntas." 26/ 11/ 08
PARA MEDITAR

"O maior exemplo de democracia vem do próprio Criador que deu a liberdade incondicional, plena e irrestrita de cada ser humano O criar segundo suas próprias convicções, concepções e vontade." 10/ 04/ 10
                                                                                                                                
PARA MEDITAR

" Deus criou a curva para contornar obstáculos. E os seres humanos a tomaram para contornarem seus obstáculos e situações. Mais ainda quando esses ou essas são palavras que obrigatoriamente têm que ser ditas, mas se ditas de forma direta e reta podem soar como ofensa, rebaixamento, preconceito..." 10/ 04/ 10
PARA MEDITAR

"O homem não pode mudar segundo a situação, a situação sim, tem que mudar por causa do homem.
O homem não pode mudar por causa do mundo, o mundo sim, tem que mudar por causa do homem." 10/ 06/ 09

quarta-feira, 21 de abril de 2010

PARA MEDITAR

"É interessante observar o quanto o poder constituido sucumbe ante o poder dos poderes subjetivos como; do saber, da palavra, do carisma, das idéias coerentes, dos argumentos incontestáveis, da lógica, do chamamento da piedade, e de tantos outros que o Criador deu aos seres humanos.
Sendo assim, não é da riqueza ou da ostentação que vem o verdadeiro poder, ele brota sim da humildade. Essa é a verdadeira fonte de força que convence e lidera." 05/ 01/ 10

TEXTO HUMORÍSTICO - BREJENILDO

B R E J E N I L D O   E M   B E L O   H O R I Z O N T E


Vindo diretamente da roça, tempão pra juntar o dinheiro da passagem, o simplório, desajeitado e matuto Brejenildo, apesar dos seus 32 anos de idade nunca tinha vindo à cidade grande. Desce do ônibus na rodoviária, aquele trambolho no início da Av. Afonso Pena, sobe as escadas e chega ao movimentado hall principal e, de pronto, se assusta com o agitado movimento de pessoas no grande saguão.
Depois, com seus 1,85 m. de altura, desengonçado, magricela, e meio curvado para frente, trajando um terno novo, listrado, calças pega frango seguras por um par de suspensórios, uma camisa listrada na horizontal e, na cabeça, um surrado chapéu já meio arredondado com as abas a parecer com o de Santos Dumont. Nos pés um par de botinas novas, de cano curto.                                                                     Continuando o reconhecimento do local, caminhou alguns metros e chegou até a porta principal e deu de cara com a pista onde param os carros para embarque e desembarque de passageiros, e ficou por longos 20 minutos a apreciar a beleza da Avenida Afonso Pena à sua frente, pasmo com a altura dos prédios e com o barulhento e emaranhado trânsito; com o borburinho da cidade grande.                                                    Ah, ia me esquecendo do surrado e meio desbotado guarda chuvas pendurado num dos braços.
Ele veio de longe. Viajou mais de 6,00 horas para fazer uma consulta por causa de problemas com a hemorróida com um médico proctologista do posto de saúde do Padre Eustáquio, exame esse que, segundo lhe informaram os maldosos “amigos”, o deixaria “vexamado”. Como a consulta estava marcada para as 16,30 horas e ainda eram 12,00, resolveu dar um bordejo pela cidade.                                               Desceu o degrau e, de pronto, levou um baita susto com a buzina do táxi que acabara de arrancar a toda com um passageiro a bordo. Se refez do susto e desceu a rampa chegando na praça em frente.                  Alí ficou paralizado diante daquele monumento que ninguém, só mesmo o autor, sabe dizer o que representa cada parte dele. (Realmente, é muita coisa para aquele monstro de concreto, de linhas retas, longas “pernas”, e com um buraco no meio. Já li sobre ele e, francamente, achei difícil ver ali tudo o que o autor diz ter). E foi isso que o Brejenildo viu e ficou tão “abilolado” quanto eu, chegando a tirar o chapéu e coçar a cabeça como quem se pergunta: “Que troço é esse?”
Passado o desassossego, meteu o surrado chapéu na cabeça e tomou o rumo da calçada do lado direito da Avenida Afonso Pena. Logo na esquina com a Rua dos Caetés o “matutão” se complicou todo, pois nunca tinha visto um sinal de trânsito ao vivo, só em fotos e pela tv., inda mais com um boneco que, ora acendia verde, ora vermelho. Tomou vários sustos ao tentar atravessar quando, ao por um pé na rua, quase era atropelado pelos carros e pelos ônibus que passavam raspando nele a 60 por hora, rugindo, buzinando, e deslocando o ar bruscamente. Então, Brejenildo resolveu observar as pessoas, e notou que, quando o bonequinho ficava verde, os carros e ônibus paravam e os pedestres atravessavam. Assim, esperou sua vez, e se deu bem caminhando todo satisfeito porque já tinha aprendido uma coisa importante; usar o sinal de trânsito.                                                                                                                                                      E se pôs a caminhar lentamente pela calçada rumo à Praça Sete, sempre olhando para os prédios, de alto a baixo, impressionado com eles e com o movimento de carros e de pessoas, e com o burburinho constante. Virava e mexia, distraído, olhando para o alto, levava um tranco de alguém que andava às pressas em sentido contrário ao dele. Ele se deslocava meio desequilibrado, balançava feito o Balança Mas Não Cai, mas se recompunha novamente, até que, já quase chegando na esquina da Avenida com a Rua dos Carijós, levou um baita ombro a ombro de um bem malhado garotão, daqueles que não conseguem fechar os braços de tanto músculo, que não sai da sua reta, e só anda em velocidade bastante acelerada. E o pobre do Brejenildo saiu desequilibrado, de lado, a toda, entrando todo desengonçado numa lanchonete que ficava ao seu lado, girando o maldito guarda chuva como se fosse uma hélice indo de encontro a uma gorda senhora que calmamente, de pé, tomava um copo duplo de caldo de cana fazendo com que esse copo subisse e voltasse em forma de chuva em cima da pobre senhora que desandou a dizer palavrões a toda altura e a querer atacar o pobre que se encontrava sentado no chão agarrado ao seu inseparavel guarda chuvas, com uma cara de assustado, pedindo mil desculpas.                                                                                       Envergonhado e todo desengonçado, se levantou, se ajeitou como pôde, e saiu de fininho andando de costas, voltando para a calçada onde esbarrou em várias pessoas de uma só vez, mas, firmou-se e recomeçou o seu turismo ainda se refazendo do susto.
Pouco à frente, observando o Pirulito da Praça Sete, o trânsito, os prédios, inteiramente ligado nesses pontos, “trupicou” numa pedra com a ponta da botina, e saiu tão acelerado quanto um bólido, catando cavacos a meia altura, com o corpo totalmente inclinado para frente, por uns 6,00 metros, rodando desesperadamente seus longos braços, e numa das mãos aquele maldito guarda chuvas que acertou em cheio o coco de um garotinho que andava seguro pela mão da sua mãe que o segurou depois do mesmo dar uma volta completa em torno de si, e que lascou um “safatapa” de mão fechada no lombo do pobre Brejenildo que tomou mais velocidade ainda, além de um xingamento sem precedentes. Continuando sua desesperada carreira, logo à frente enfiou a cabeça, com chapéu e tudo, no vidro do carrinho de pipocas estacionado na esquina virando o mesmo por sobre o pipoqueiro e uma garotinha que ele atendia do outro lado. O fogareiro aceso derramou o querozene e botou fogo no avental do pipoqueiro ainda preso sob o carrinho tombado, e no próprio carrinho que era de madeira.
Ajudados pelos pedestres, Brejenildo, o pipoqueiro e a garotinha foram colocados de pé, e conseguiram se recompor e apagar o fogo do avental, e a garotinha muito assustada chorava desesperada, completamente descontrolada de dar pena. O fogo no carrinho continuava.                                                                   Então, um motorista de um táxi que estava parado na pista da avenida esperando o sinal abrir para entrar na Av. Amazonas, não titubeou. Pegou o extintor de incêndio do carro, e o abriu a toda sobre o carrinho, pegando em cheio no Brejenildo que se encontrava no trajeto do pó branco que o cobriu de cima a baixo, inteirinho. Ficou a parecer um fantasma matuto, estático, com os olhos esbugalhados ao ver um cenário de tamanha destruição em tão pouco tempo, e com os gritos desesperados da garotinha que chamava insistentemente pelo seu pai.
O fogo foi apagado, e em meio à confusão, assustado com medo do pai da garotinha e do pipoqueiro, um portugues que xingava à maneira da sua terra, Brejenildo saiu correndo, parecendo uma visão branca, em disparada, pela Rua dos Carijós até a esquina com a Rua São Paulo onde deu uma parada para tomar fôlego. Estava inteiramente desnorteado e não sabia que rumo tomar; se continuar a Carijós, se subir ou descer a São Paulo...
Desatinado, entrou numa loja de roupas na esquina sujando de pó branco as roupas que se encontravam em exposição, e foi perguntar às atendentes como pegar o ônibus para o Padre Eustáquio. Elas, penalizadas, vendo a inocente confusão mental do pobre, e com seu estado de alvura, o conduziram para o banheiro da loja onde pôde se limpar um pouco, se recompor e acalmar.
Mais calmo e meio refeito do susto, o “matutão” saiu às pressas e tomou o ônibus, apesar de ainda não estar na hora da consulta. Eram 13,45, mas ele não quis mais se arriscar na cidade que começava a ameaçar sua segurança.
Assim, foi se relaxando ao curtir as paisagens vistas da janela do coletivo, e ficou impressionado por ver como o motorista metia aquele bólido por entre os carros, fazia as curvas a toda, e brecava violentamente nos sinais e nos pontos de parada. Ficou o tempo todo atarracado no banco à sua frente e chamando por Nossa Senhora, incomodando o passageiro que nele estava sentado e que, a certa altura, virou para trás e lhe deu uma grande bronca. Brejenildo suava frio, apavorado como se estivesse numa montanha russa, no carrinho da frente.
Enfim, chegou ao bendito prédio do INSS, e por desconhecer, desceu num ponto fora do sinal de pedestres. Com o movimento intenso de carros, juntado à sua total falta de prática, levou alguns sustos, e uns 15 minutos para atravessar a Rua Padre Eustáquio naquele horário de muito movimento. Depois, pôs-se a dar voltas no quarteirão, entrando e saindo de vários portões procurando pelo local da consulta, até que encontrou, num dos corredores, uma placa indicando; “PROCTOLOGISTA.”
Deu um grande e profundo suspiro de alívio, e relaxou, mas agora bem mais preocupado com o exame que iria fazer. Afinal, prá ele, criado sob grande rigidez religoisa,  aquele local era sagrado, e se tocado, mancharia de vez a sua honra, além de pensar que seria um pecado mortal porque os amigos maldosos lhe disseram que ele poderia se acostumar..., gostar..., e aí, mudaria de lado. Isso o preocupava mais que tudo e fazia até que tivesse impulsos de deixar tudo prá depois, depois...
Mas a danada da hemorróida incomodava e doia muito, além de frequentemente sangrar e lhe sujar a roupa, muitas vezes quando estava na rua.
Porém, em nenhum momento deixou de pensar naquela posição de burrico desprevenido, com o bundão magricela prá cima, e no dedão do doutor. Que tamanho e grossura ele teria? Porém, o que muito mais o assustava era pensar: "E se o dotô fô um tarado e se impricá cumigo? Eu sei que sô feio cumo a peste, mais dizem que esses bicho num iscolhe cara, que dirá bunda!  Se acontecê, eu saio correndo, pelado, com as carça na mão ou sem as carça, mais com minha honra resguardada pruquê, omi não! E seja o que Deus Pai quisé, mais num vorto mais aqui e em nenhum otro dotô desses médico de mexe no cú da gente. Eu morro com essa morróida mais num vorto!"
Mesmo assim, depois de repensar tudo que enfrentara até chegar aqui, resolveu entrentar o doutor.
Ao seu lado viu um bebedouro, e sentiu que estava com sêde. Ficou olhando uma pessoa que o estava usando, como fazer. Quando chegou sua vez, apertou o gatilho e levou um belo jato d’água no rosto, tomando um belo banho e ainda dando um banho num senhor que estava atráz dele esperando a sua vez. Desajeitado, pediu mil desculpas, pegou seu lenço encardido no bolso do paletó, e enxugou o que pôde, ele e o senhor que o afastou com um safanão daqueles e um xingamento bem afinado.
Saiu sem beber a água, pois ficou tremendamente envergonhado já que havia pessoas por perto a rir do acontecido, principalmente um sardento garotinho, pimentinha, que além de dar risadas pra valer, apontava pra ele e falava com sua mãe; “mãe, olha a cara dele toda molhada, olha, ele ta parecendo um pinto molhado, não está mamãe?”                                                                                                                Rubro de vergonha, mas aguentando-se,  chegou até o local onde havia uma fila enorme para a triagem. Como ainda era cedo, sentou-se numa cadeira e esperou. Quando faltavam 15 minutos para a consulta, entrou na fila orientado por uma pessoa que já tinha prática e já percebera a falta de jeito do Brejenildo.
Levou um bom tempo até chegar ao balcão de atendimento.
Chegada a sua vez, à atendente de cara feia e que demonstrava total desinteresse para atender, ele entregou toda a papelada e seus documento.
Então ela lhe disse de pronto, sem pestanejar:
"Senhor Bejenildo. O senhor está muito adiantado porque sua consulta é para o dia 12 sim, mas do mes que vem. O próximo?"

TEXTO - A PERENIDADE DO AMOR

A  PERENIDADE  DO  AMOR


“Conta-se essa história que é dada como verdadeira, porém, como não foi testemunhada por qualquer pessoa que a atestasse verdadeira, a consideremos como lenda, linda lenda que diz sobre o quanto o amor pode transcender à morte, fazendo até cessar a vida para ser perene.”



            Do mausoléu, apesar de lacrado e não aberto há tempos, mais exatamente há 38 anos, irradiava uma energia estranha e forte. Saía do seu interior, vazava através das paredes de concreto revestidas com granito negro, e se espalhava por todo o derredor atingindo em cheio as pessoas que por perto passavam, e sem saberem por que, até sem notarem o gesto, instintivamente paravam e observavam atentamente aquele portentoso túmulo.

Alguns, sem se darem conta do que se passava, e sem entenderem porque, paravam diante dele, última morada de um desconhecido, mas lógo voltavam à realidade como se houvessem acordado de um transe. Então, olhavam meio desconfiados à sua volta, e com uma incógnita na cabeça retornavam ao seu caminho.

Voltando no tempo, no dia do velório, ainda na sala da mansão onde o morador desse mausoléu morrera de um ataque cardíaco fulminante, ele não só recebeu a visita dos parentes e amigos mais chegados, pessoas do seu relacionamento, como também um grande número de pessoas que apenas o conheceram através de noticiários, jornais, revistas, além de curiosos, pois o velório foi com as portas abertas para todos. Ele sempre esteve na mídia pois fora um político atuante, grande industrial e advogado polêmico de grandes causas. Mas, alguns entravam sem saber de quem se tratava. Aquele mesmo magnetismo que continuava iradiando do túmulo, já acontecera no seu  velvelório.                                                                E as pessoas, quando davam conta de si, se perguntavam; “que faço eu aqui?”

Voltando ao mausoléu, além da energia inexplicável que atraia e dominava os transeuntes, quem por ali passava sentia um sutil olor de cravos frescos, como se os que foram colocados em seu caixão a cercar-lhe o corpo inerte há 38 anos atrás estivessem tão frescos quanto no dia. Esse aroma transcendia o mausoléu e ia perfumar alguns metros adiante, o que também deixava as pessoas, no mínimo, curiosas.

Um dia, passando por perto, indo visitar o túmulo de um parente que ficava na mesma quadra, próximo do mausoléu, uma distinta, elegante, bem tratada e bem trajada septuagenária senhora sentiu aquele aroma dos cravos e, de repente, instintivamente lia na lápide o nome do defunto cuja imagem lhe veio à memória, nitida, tão nítida como o vira pela última vez.

Ela havia ido àquele velório, mas ao enterro não foi por motivos alheios à sua vontade, e porque não tinha tantos motivos para tal. Ela fora sua cliente num processo que teve que mover contra uma potente companhia de seguros, e aquele senhor que ali estava sepultado, fora seu advogado. E tudo ficou por aí, parado no tempo, já esquecido por ela. Afinal, sua condição não passara de cliente que freqüentou os escritórios dele por uns 5 anos, enquanto durou a ação. Mas, o relacinamento de ambos nunca saíu do âmbito formal entre advogado e cliente.

Aos poucos, sem perceber, sentindo o olor dos cravos cada vez mais forte, ela foi chegando mais pra perto do mausoléu, e através da grade de uma porta de ferro, que estava só cerrada, olhou seu interior, escuro, e sem qualquer atrativo.

Automaticamente abriu essa porta, e entrou no mausoléu.

À frente ficava o local onde se encontrava o caixão, sob uma lápide de granito preto, deitada, um pouco inclinada para frente, e sobre ela a lousa onde se lia: “Aqui jaz Dr. Fulano de Tal. Saudades dos irmãos, sobrinhos e tio.” As datas de nascimento e falecimento, e alusões aos títulos e comendas conquistados em vida, como: advogado, juiz, deputado, senador..., e, à sua frente, um pouco mais ao alto, um grande crucifixo em metal com um lindo e dourado  Cristo pregado nele.

Essa senhora, puxada por uma força invisível, instintivamente sentiu sua mão ser levada a tocar a lápide. E, ao tocá-la, sentiu um frisson, como se fosse um pequeno choque nas pontas dos longos e bonitos dedos que compunham aquela mão alva e muito bem cuidada, apesar das rugas e das manchas senis. Olhou em torno e percebeu que, naquele momento estava só. Ninguém por perto. Todos tinham ido embora, mas ela ficara ali, desligada do resto do mundo, sentindo essa repentina sensação e sem conseguir entender por que dali não se afastara apesar do adiantado da hora. Já se esvaiam as 17,00, e às 17,30 os portões do cemitério seriam fechados. Aliás, um lânguido prazer e uma estranha calma e serenidade sentia ao estar ali, tocando aquela lápide e sentindo aquele frisson. Até se esqueceu do parente que ia visitar. Algo muito forte a prendia àquele suntuoso mausoléu de granito negro.                                                                                                         Curiosa por conhecer todo o túmulo, olhou tudo em volta, mas quando olhou para o alto, se deparou com um enorme anjo em tamanho natural, esculpido em bronze, a exibir duas grandes asas, abertas como se quisessem abraçá-la. E miraram-se fixamente, olhos nos olhos, ela e o anjo.

Assim ficaram por longo tempo, olhos nos olhos com uma grande e invisível força a prendê-los nessa troca de olhares, profundos olhares...

Os portões se fecharam, ela nem percebeu.

Caiu a noite. O perfume dos cravos ficou mais intenso e atraente, e os olhos dela não se despregavam dos olhos do anjo.

De repente, como se um facão invisível cortasse a linha que prendia os dois olhares, ela sentiu-se liberta e conseguiu voltar a ver à sua volta. Só, já dentro do véu quase negro da noite, ouvia os piados e cantos das aves pousadas nos galhos das árvores próximas.

Aí sim, sentiu um grande choque. Como se voltasse de um longo e profundo sono, se encontrando novamente com o mundo real. Sentiu-se aflita e sem saber que atitude tomar. Afinal, que fazia ela ali, tocando aquela fria lápide de alguém que não lhe fazia sentido?                                                           Apenas o conhecera e fora ao seu velório há 38 anos atrás?

Havia a luz da lua que era quase cheia e iluminava bem. Enfim, estava atônita e sem forças para reagir e tomar alguma medida. Ir embora dali.                                                                                                     Mas, também não sentia medo. Pelo contrário, curtia uma grande serenidade, e se encantava com o aroma dos cravos, com o barulho das aves. Sentia-se à vontade e kuvre de qualquer medo, e até com vontade de ficar.

. Então, à luz daquele luar que prateava tudo, ela sentiu um forte impulso de olhar novamente para o rosto do anjo. E num repente exclamou: “Meu Deus, o que é isso!”

É que o rosto do anjo tomara a forma do rosto do falecido, no entanto, com as feições dele há 38 anos passados, mais novo, atraente, e do qual se lembrou claramente. Ele a mirava insistente e profundamente nos olhos tanto quanto antes o anjo a mirara.

E esse olhar, além de trazer-lhe uma profunda calma, sutilmente fazia-a ouvir, só com os ouvidos da mente, ele lhe dizer:                                                                                                                                           “Eu sempre te amei, desde o primeiro dia em que entraste no meu escritório, inteligente, sábia... Eras elegante, charmosa, e muito linda. Toda vez que por lá aparecias, vinha-me aquele impulso de dizer-te tudo, desabafar, declarar-me. Porém, minha timidez não me deixava abrir-me contigo. Mas, infelizmente morri antes de conseguir a coragem para declarar-me pessoalmente, trazendo essa frustrada memória para este túmulo. E, se não sabes, nem podes imaginar, foi a força desse amor que nunca morreu, que me fez induzir-te a hoje me visitar com a desculpa de visitares um parente teu que sei que é meu vizinho de última morada.                                                                                                  Meu amor! Tudo poderia ter dado tão certo! Arrependo-me de não ter-me declarado àquela época. Poderíamos ter sido muito felizes juntos, pois eu percebia, nos seus gestos, na sua voz doce e sensual, que tinha uma grande chance de ser aceito por ti que também era solteira como eu, e pelas nossas rápidas conversas, à parte do profissional, sentia que tínhamos muitas coisas em comum. Mas, ias embora e eu voltava para casa sonhando contigo e com os momentos que poderíamos passar juntos, com teus olhos, com tuas belas mãos, com teus lábios, com os beijos que fiquei por dar-te...”

Assim, o que se conta, é que a noite passou com os dois trocando sentimentos, e palavras sem som. Apenas trocas de sentimentos enclausurados no passado, saudades de um tempo e de uma atração de que ela, só agora, se dava conta. E a última coisa que ele deve ter dito para ela é que não a deixaria partir novamente, que não se separariam mais. Tanto é que, ao raiar o dia, os funcionários foram entrando para limpar as ruas e lavar os túmulos, e um deles gritou para os companheiros que havia, no mausoléu do doutor, que ele cuidava, sobre a lousa de granito preto, o corpo de uma senhora, estendido e com um largo sorriso a enfeitar-lhe o rosto já eternamente adormecido, com os braços por sobre o corpo, e nas mãos entrelaçadas um belo cravo branco, fresquinho, perfumando tudo.

TEXTO - SABEDORIA DIVINA




S A B E D O R I A    D I V I N A                     


                        Num templo católico entrei. Passei na testa Água Benta com o Sinal da Cruz a desenhar. E o Filho orou comigo dando força à minha intenção de um sincero pedido ao Pai.
                        Senti um fremir no peito. Com um pouco de jeito, a emoção controlei para não me debulhar em lágrimas.
                        Envolto pela mística e abstrata presença do Pai e de toda plêiade celestial, pelo auspicioso silêncio, pensava! “Que gesto simples, que simbólico ato... quão grandiosa é a fé! Eu, tão pequeno, humilde, quase vulgar, através da Grandiosidade do Filho poder chegar ao Infinito do Pai e pedir PAZ para todos os meus irmãos e irmãs n’Ele”.
                        Era o que realmente sentia naquele momento de profunda meditação, enlevo, calma...
                        E mais. Procurava uma resposta a uma dúvida que me atormentava: “Por que todos que lutaram para que houvesse paz e bem estar entre os homens, acabaram mártires da sua nobre missão? De Cristo a Ghandi, de Luther King a Chico Mendes, de John Lennon a Senna, de Irmã Doroty a..., mais tantos outros, anônimos ou não que por ela lutaram. Por que Pai, por quê?...”
                        Angustiado, orando, sentia grandioso esse momento. Enorme era meu pedido, ínfima minha figura, ali, prostrada ante o Filho do Criador, segundo o Mistério, o Próprio. Olhos marejando pedindo paz para toda a humanidade.
                        Nesse momento Ele, o Pai, se fez presente quando meu coração percebeu com expectativa e espanto, uma Mensagem que nele brotava vinda de Lá...
                        Dizia-me:
                        “Meu filho! Quando os Criei, “homens”, Coloquei em vocês o sentimento da paz, o sonho pela paz, a ânsia pela paz duradoura, mas não Dei para vocês a paz duradoura. Esse sonho pela paz duradoura é muito útil, mas vulnerável e perigoso demais, imensamente volátil. O que Fiz foi colocar em cada “homem” a dose certa de momentos de paz para conter o instinto guerreiro que também a vocês Dei.
                        Só em paz vocês não fariam detonar o progresso.
                        Só em paz vocês se esqueceriam da luta.
                        Só em paz vocês não tornariam do nada. Continuariam sendo nada, Se tornariam nada...
                        ...E sem a paz o “homem” iria se destruir sem freios. Portanto, a guerra e a paz têm esse papel de regular o instinto guerreiro ou passivo do “homem”. Sem o instinto guerreiro continuaria sempre como foi feito, sempre o que foi feito... Sempre barro! Não lutaria para saber; nem do início, nem do meio, nem do fim da sua existência. Seria sempre o “Adão” casto, só, acomodado em seu reinado inócuo, nunca se preocuparia com sua origem.                                                                                                           Então, a ele Dei “Eva”, a tentação que lhe tiraria a paz e por ela lutaria. Que Me desobedeceriam, Eu já sabia!
                        Então, Deixei no “homem” a semente da evolução. O Criei e Dei a ele a chance de se levantar, enxergar longe e obstinadamente lutar para atingir esse longe. Ao atingir esse longe veria outro longe,  outro longe..., sempre e sempre infinitas metas a atingir. Seu instinto guerreiro o manteria obstinado a distâncias intermináveis alcançar!
                        Só no embate e no combate o “homem” teria a chance de duelar até consigo mesmo buscando-se, tentando melhorar-se,  gerar a evolução, crescer com ela.
                        Só no embate e no combate as forças opostas teriam a chance de se medir. As melhores venceriam, os levariam a novo embate ou novo combate. Daí, novas idéias nasceriam, iriam se dando à luz, parindo novas idéias, gerando grandes ânsias de se conhecerem além de cada idéia nova.
                        Assim, não iriam querer permanecer pequenos, agasalhados sob o manto da paz. Sairiam da sua proteção. Se arriscariam enfrentando as intempéries das suas lutas internas e externas. A evolução dos “homens” dependeria dos que tivessem essa coragem.
                        À Mim, Me parece que Acertei!
                        Portanto, filho, se quiserem a paz, ela está no meio de vocês! Busquem-na! Lutem por ela! Só guerreando, mesmo na paz quando guerrearão por títulos, medalhas, vitórias se definindo como pacificadoras da guerra até chegarem a elas, chegarão a elas. A paz é o antônimo da guerra mesmo não sendo duradoura. É volátil, mas existe, e por curtos momentos lhes acomodará os espíritos exaltados. Por isso é tão valiosa, rara, difícil de a ela chegar!
                        Também, Dei a vocês a paz somente por momentos, pois se fosse duradoura, seria uma ameaça à vossa própria existência na Terra.              Só em paz vocês seriam, após um tempo, uma super população. Seriam uma ameaça a vocês mesmos já que não teriam quem os destruíssem. Fiz vocês o topo da criação dando-lhes a inteligência, o raciocínio. Não têm predadores naturais além das doenças, mas essas são comuns aos seres vivos, inclusive aos vegetais, e encontrariam fórmulas milagrosas de remédios para combatê-las. Por isso tinham que se auto - exterminar de alguma forma para que um não fosse ameaça ao outro. Após certo tempo ter que dividir com um número muito grande de seres humanos, sua ração, seu espaço físico de terreno que são limitados. O ventre da Terra não pode gerar mais do que tem capacidade para gerar. O ar tão necessário à vida é raro. A água, apesar de cobrir um terço da face do vosso planeta, apenas dois por cento é potável...                                A Terra não é todo o universo. E acesso a ele... Sem pessimismo, mas com realismo, nunca terão!                                                                      Poderão passear por perto, por algum satélite ou planeta próximo, só isso! E para complementar esse autocontrole da população humana, não se esqueçam das doenças incuráveis, que Sabia, trariam grande sofrimento, mas eram imprescindíveis. Vocês as dariam à luz nos momentos em que se fizerem necessárias, como epidemias. Eu apenas coloquei dentro de cada um de vocês, as sementes, já Sabendo que as fariam germinar no momento certo sob um comando involuntário, inconsciente e coletivo.
                        Também, lembrem-se de que lhes dei o livre arbítrio. Ele é o propulsor das desavenças de vocês para com vocês mesmos, fará nascer conflitos entre dois ou vários caminhos que vislumbrarão à frente. Também, terão que lutar contra os impedimentos para atingirem o que arbitrarem atingir. A decisão por esse ou aquele será de cada um de vocês. Aí está uma boa guerra, não?
                        Essas são as finalidades da guerra e da paz.
                   E o mais interessante é que; em tempos de paz, buscarão a guerra, em tempos de guerra, lutarão pela paz.
                        O mal e o bem não vivem um sem o outro apesar de antagônicos, tal como a guerra e a paz. E pode parecer que não, mas são dois grandes bens que Lhes dei, de igual valor e intensidade, pode crer. Só à presença de um, avaliarão o potencial do outro.
                        Então, para que vivam em paz, Aconselho, não maldigam a guerra, não vivam só dela. Não bendigam e não queiram só a paz, não queiram viver só nela. Assim como de uma experiência ruim sobra uma grande lição, também da guerra sobrará uma paz mais duradoura. Elas se compensarão naturalmente.                                                                                                  Se libertem dessa aflitiva busca pela paz duradoura. Se libertem desses doridos grilhões, dessa obstinação de buscarem por ela. Ela sempre estará no íntimo de vocês. Nos momentos certos se fará presente, mesmo em meio a uma grande batalha.
                        Se a tentarem libertar da “gaiola esfarrapada” na qual A prendi, não conseguirão. A chave dessa gaiola está e estará sempre Comigo.
                        Para o bem de toda a humanidade, não A entregarei nunca a quem quer que seja!                                                                                                                      Vocês, “homens”, têm duas forças importantes que Lhes dei; a liberdade de escolher caminhos (o livre arbítrio acima referido), e o destino, que permitirá ou não que trilhem o caminho escolhido. E porque Quero que cresçam, apesar de a decisão por qual caminho caminhar pertencer a vocês,para que cresçam ordenadamente, o destino, ou seja, se caminharão ou não pelo caminho escolhido em Meu poder permanecerá.
                        Portanto, a paz duradoura nunca existirá, mas a paz necessária, na dose certa, não será um sonho. Chegará no momento certo que precisarem dela por milagre de Mim.                                                                 O sonhador que lutar para que a paz duradoura exista sem que venha naturalmente, será duramente hostilizado, castigado, principalmente por aqueles a quem ele quiser “presentear” com essa paz, e perecerá pelas mãos deles como já aconteceu a muitos.
                        Essa é uma fatalidade que Deixei entre vocês. Explica bem a rebeldia e hostilidade contra os que tentam mexer nesse equilíbrio, exatamente sua dúvida quando na Minha Casa entrou a me pedir paz duradoura para todos os seus irmãos em Mim. Não Nego ser lindo seu gesto, mas é em vão! Tudo já está determinado por Mim. Vossas histórias, o “maktub”, como tudo acontecerá já foi Escrita! E se assim os Criei, assim Quero que seja.                                                                                                 Se tiverem que passar por provações, por grandes lutas pela subsistência, que lutem por ela, que não tentem se esquivar do sofrimento porque ele é necessário ao crescimento material e imaterial de toda a humanidade. Portanto, não tentem distorcer o que no livro das leis que regem a humanidade Escrevi.                                                                                         Acredite! Impulsionados por seus instintos guerreiros crescerão, se encontrarão e darão muito mais valor aos raros e belos momentos de paz.”
                        Amém, Pai!

TEXTO - ROLETA RUSSA

R O L E T A     R U S S A                                                                                               31/ 10/ 09


Mais ou menos dez da noite. A tensão era enorme.

Para quem estava presente e assistia, a cena foi chocante. Alguns entravam em pânico, outros se sustentavam em total suspense, mulheres histéricas desmaiavam, alguns se escondiam onde e como desse, e ninguém podia fazer nada.

Uma sala de jogos de um pequeno cassino clandestino que ficava nos arredores de uma grande cidade.

A polícia já o havia fechado por duas vezes, e ele reabria em outro local. É que seu proprietário tinha cobertura do delegado da delegacia local, e cobertura dos policiais da área que recebiam o seu. Então, faziam vistas grossas.

Voltando à cena, a roleta russa acontecia por motivos passionais.

A arma já havia sido disparada por duas vezes sem deflagrar a fatídica bala, uma vez na fronte de cada um dos dois jogadores restantes de uma mesa de jogo de pôquer onde, inicialmente, cinco competiam.

Jairo, um dos adversários, jogador profissional e freqüentador assíduo do cassino, se engraçara com Clara já fazia algum tempo. Linda mulher de trinta, amante de Lúcio, um sessentão que por ela curtia verdadeira paixão.

Mas, Clara, apenas fingia amar Lúcio, e com ele ficava por causa da sua grande fortuna e das condições atuais de noiva do mesmo que não gozava de boa saúde, era cardíaco, lhe dedicava total amor, afeição e confiança, por isso já preparava todos os papéis para o casamento que se daria daí a alguns meses.

Ela já tinha um plano bem preparado junto com Jairo. Aguardariam um tempo após o casamento, então, dariam cabo de Lúcio, de tal forma que não ficaria rastro para serem descobertos. Tinham já um esquema para ele sofrer um terrível e fatal acidente, então, os dois, que tinham mais ou menos a mesma idade, iriam curtir a vida juntos, e desfrutar da fortuna de Lúcio da qual ela passaria a ser única dona, pois ele, viúvo há cinco anos, não tinha herdeiro a qualquer título.

E o clima continuava tenso. Jairo mirava o inimigo que, sentado à sua frente, suava frio ao levar a arma para a posição de tiro contra si mesmo.

A roleta acontecia motivada pela fatalidade.

Lúcio confiava plenamente em Clara que lhe dava todos os motivos para tal. Além de moça recatada, de bons princípios, pelo menos para ele, tinha berço, pois, vinha de tradicional família local, bem conceituada, e que um dia chegou a ser a mais rica da cidade, a mandar econômica e politicamente na comunidade, mas, após a morte do patriarca, os herdeiros não souberam lidar com o império deixado pelo velho, uma grande indústria de calçados que exportava para o mundo inteiro, agora sobrando apenas a casa em que moravam, e uma pequena indústria, quase doméstica, dos mesmos calçados. Então, o que lhes restou foi muito mais nome que dinheiro e bens.

Também, Clara sempre dera demonstrações de carinho, de zelo para com ele, e de total e incondicional entrega, espiritual e física.

Os pais dela, que chegaram a comemorar as bodas de ouro sem qualquer rusga, eram católicos praticantes, de missa e comunhão aos domingos, e sem qualquer mancha no nome que gozava de grande prestígio e respeito junto à sociedade local. Tudo isso levava Lúcio a acreditar na idoneidade do caráter de Clara, na sua beleza interna, além da grande atração física que por ela sentia. Enfim, Clara não tinha qualquer defeito, só virtudes.

Lúcio era um viciado no jogo de pôquer, por isso freqüentava, não só esse cassino como outros, tanto no Brasil como no exterior, e por isso conhecia bem, principalmente; Las Vegas, Buenos Aires, e outras cidades onde houvesse cassinos. Porém, por causa dos compromissos como grande empresário, não tinha tanto tempo disponível para viajar, e então, jogava nos cassinos clandestinos daqui mesmo.

E foi nesse cassino que Clara conheceu Jairo, jogador profissional, malandro por excelência, galã e mulherengo, que sabia de sobra como conquistar uma mulher, principalmente uma como Clara, que tinha o instinto à traição, mas não tinha vivência, por isso era uma presa fácil. Então, quando soube da sua história, do seu grandioso e próximo futuro, viu nela a fragilidade, disso se aproveitou empenhando-se de corpo e alma a conquista-la, e principalmente ganhar sua confiança, o que não foi difícil, nem demorou muito a conseguir muito mais que seu amor, tanto espiritual quanto sexual que ele, de longe, batia Lúcio.

Também Clara, que não era bem a “santa” que Lúcio imaginava, pensava: “ Sei que, casando com Lúcio, voltarei a ter a vida de luxo, de requintes, de conforto e regalias que sua fortuna poderá me proporcionar, mas, eu amo Jairo, e sem ele nada disso fará sentido.”

Foi assim que ela caiu direitinho na lábia de Jairo que, com sua esperteza e vivência, colocou logo em prática e, tendo ganho a confiança dela, fez com que aceitasse seu plano. Porém, o que Clara não sabia, nem podia imaginar, é que Jairo só a queria na cama, mesmo assim até ter toda sua fortuna, depois a abandonaria e a deixaria “a ver navios” e fugiria para um outro país qualquer para ficar com Dalva, uma antiga paixão sua, e assim passaria a ter a vida que pedira a Deus.

O que aconteceu foi que, durante o jogo, do qual participavam Lúcio e Jairo, mais outros três, Clara permanecia quase todo o tempo de pé, atrás de Lúcio, encostada num móvel tomando uma taça de champanhe.

Em frente de Lúcio havia uma porta de vidro, e nela ele via perfeitamente a imagem de Clara.

Então, mesmo concentrado no jogo, começou a observar Clara que tentava, com uma mímica das mãos e dos lábios se comunicar com alguém.

Ao olhar para Jairo que estava à sua frente, viu que o mesmo não tirava os olhos de Clara, e que, também, lhe dirigia um maroto sorriso, e era correspondido.

Então, percebendo a traição ali mostrada, num arroubo levantou-se, e virando-se para trás, desferiu, com as costas da mão direita, um tremendo tapa no rosto de Clara que jogou longe a taça de bebida, e caiu ao chão violentamente.

A essa altura Lúcio já tinha, à mão, um 38 engatilhado e apontado para Jairo que, caído ao chão, olhava estarrecido. Depois, voltando-se novamente para a mesa, debruçou-se sobre a mesma, totalmente transtornado. Agarrando Jairo pelo colarinho e gritando palavras de ordem, arrancou-o da cadeira e o jogou para trás, contra a porta de vidro onde foi bater com toda a força,

Clara, ao ver seu amado com a vida ameaçada, jogou-se nas costas de Lúcio agarrando o braço que segurava a arma que desviou-se da direção de Jairo e, deflagrando um tiro, foi a bala atingir garrafas de bebida no bar, estourando-as.

Os presentes, alguns se jogaram ao chão, outros se protegeram sob as mesas, e em qualquer lugar, apavorados.

Lúcio empurrou Clara para longe e lhe apontou a arma. Depois, virou-se apontando-a para Jairo novamente, porém, fazendo uso de um grande auto controle, ficou a olhar Jairo longa e silentemente,

Nesse instante, tudo parou. E reinou grande silêncio e suspense no ambiente. Ninguém sabia o que poderia acontecer daí pra frente.

Foi quando Lúcio mandou Jairo se levantar e se sentar na mesma cadeira na qual sentara enquanto jogavam, bem à sua frente. Fez com que Clara se sentasse na cadeira ao lado dele, e se sentou na cadeira, mesma que sentara durante o jogo fazendo com que Clara ficasse entre ele e Jairo.

Calmamente, e com todos os presentes paralisados de medo e pânico, Lúcio mostrou ser grande jogador, e que tinha um excelente e interessante humor. Pegou a arma, abriu o tambor da mesma esvaziando-o das cinco balas intactas e da cápsula da bala deflagrada, pegou somente uma bala, encaixou-a no tambor, girou-o e, antes que parasse, num gesto viril e rápido, o retornou ao lugar onde deveria ficar; na posição de tiro.

Colocou a arma no centro da mesa com o cabo virado para ele.

Foi aí que todos entenderam inclusive Jairo, que Lúcio o desafiava para um duelo na roleta russa, e que ele próprio seria o primeiro a arriscar. Sem qualquer palavra e sob um silêncio sepulcral, apanhou a arma, apontou-se para sua cabeça, e apertou o gatilho.

Ouviu-se apenas um “click”, nada mais. Só alguns murmúrios dos presentes.

Chegou a vez de Jairo.

Esboçando um leve, porém, contraído sorriso, apanhou a arma, abriu o tambor, girou-o e, antes que parasse, armou-a, levou-a à cabeça e apertou o gatilho.

Novamente ouviu-se o “click”, e um grande e profundo suspiro ele deu.

Lúcio, calmamente apanha a arma, olha longamente para Clara que a tudo assiste estarrecida, mas, impávida. Faz todo o ritual, aperta o gatilho e, outro “click”.

Alguém na platéia chega a pedir com a voz angustiada que parem, mas, nenhum dos dois comunga da vontade do espectador, e Jairo apanha a arma.

Cumpre com o mesmo ritual, olha para Clara que já pede aos céus que a bala não esteja na agulha, e algumas lágrimas lhe escorrem silenciosamente pelo lindo rosto, pálido...

Silêncio profundo, todos rezam ou choram um choro contido.

Jairo olha para Lúcio como quem olha para o demônio, e puxa o gatilho.

Ouve-se um estampido, e o vestido de Clara, que era branco, suja-se do sangue de Jairo cujo corpo pende para o lado direito, e cai ao chão, inerte.

Nesse momento, a câmera dá um “close” no lindo rosto de Clara, e o mundo para, inclusive atores e telespectadores desse capítulo 45 da telenovela das oito.

TEXTO - ELE... ELA...

E L E...    E L A...                                                                                                                08/ 10/ 09


Ele foi concebido por acaso, ela concebida com amor.

Ele veio do norte, ela veio do sul.

Ele chegou à cidade, ela à mesma chegou.

Ele saiu a caminhar, ela a caminhar saiu.

Ele se dirigiu a uma certa rua, ela, a essa mesma rua se dirigiu.

Ele passou por ela, ela por ele passou.

Ele olhou para ela, ela para ele olhou.

Ele sentiu algo por ela, ela por ele algo sentiu.

Ele voltou para se encontrar com ela, ela por ele esperou.

Ele pouco falou com ela, ela pouco com ele falou.

Ele a tomou pela mão, ela se deixou levar pela mão dele.

Ele se encaminhou para um quarto, ela para o quarto o acompanhou.

Ele na cama se deitou, ela o apreciou, se despiu, e sobre ele se deitou.

Ele rolou seu corpo na cama com ela, ela se deixou rolar na cama com ele.

Ele tirou sua roupa, ela, já nua, ajudou a roupa dele tirar.

Ele deu um beijo em sua boca, ela em sua boca o recebeu.

Ele fez sua língua se enlaçar com a dela, ela enlaçou sua língua à dele.

Ele a olhou de cima à baixo, ela se sentiu desejada por ele.

Ele tomou as mãos dela, ela segurou fortemente as mãos dele.

Ele se fez penetrar nela, ela, virgem, aceitou a penetração dele.

Ele respirou ofegante nos ouvidos dela, ela gemeu loucamente sob ele.

Ele chegou ao frenesi do gozo, ela o tomou enlaçando-o, e com ele gozou.

Ele relaxou por sobre ela, ela relaxou sob ele.

Ele adormeceu por sobre ela, ela adormeceu sob ele.

Ele acordou ao lado dela, ela acordou ao lado dele.

Ele olhou fixa e profundamente para ela, ela para ele fixamente olhou.

Então...

Ele perguntou o nome dela, ela perguntou o nome dele.

Ele a ela não disse seu nome, ela a ele seu nome não disse.

Ele se levantou, e em silêncio se vestiu; ela se levantou, e também se vestiu em silêncio.

Ele saiu a caminhar na direção do sul, ela saiu a caminhar na direção do norte.

Ele ficou com a saudade dela, ela, com a saudade e o fruto do amor deles ficou...

TEXTO - DOMINGO

D O M I N G O                                                                                                              09/ 09/ 09


Domingo, 10 da manhã, sol lindo, dia claro, céu azul sem borrão.

Paulo chega à casa da sua noiva Antônia. Ela e a irmã Dirce, já o deveriam estar esperando, prontas para irem para o clube.

Antônia, que já se encontrava pronta, o recebe já com seu biquíni por baixo de uma apertada bermuda que delineia um belo e bem tratado corpo. O rosto de morena clara, cabelos longos e negros, olhos grandes e negros também, enfim, um lindo conjunto numa só garota.

Sua irmã Dirce ainda se aprontava. Acabara de tomar um gostoso banho bem quente, e já estava em seu quarto a se arrumar frente ao espelho da penteadeira.

Corria o ano de 1972, mês de setembro, quase entrando a primavera. O dia é que não me lembro.

Naquela espera, Paulo, encostado na lateral do seu lindo carro, um Buick 1950, preto, muito conservado, que à época ainda rodava imponente pelas ruas de Belo Horizonte, muito confortável. As quatro molas espirais davam aos passageiros a sensação de estarem num navio. Luxo à vontade; hidramático, rádio de alta fidelidade, o máximo para a época, ar condicionado, vidros elétricos, banco elétrico, etc., privilégios dos anos dourados dos americanos, e dos quais à época também usufruíamos.

Paulo conversa despretensiosamente com sua noiva, riem de algumas brincadeiras, e trocam carinhos, beijos, e longos abraços, quando olham para o lado mais alto da rua e vêem, descendo a mesma, a mãe de Antônia, uma distinta senhora de uns setenta anos, ainda bem forte e bastante lúcida, totalmente descontrolada, trêmula, cambaleante e pálida, se escorando com uma das mãos nos muros e paredes das casas.

Ao verem a senhora em tal estado, deixaram de lado as carícias e correram ao seu encontro para ampará-la, ainda uns vinte metros rua acima, sem saber o que estava acontecendo. Tudo estava muito anormal.

Cada um a segurou por um braço, e ambos a conduziram para dentro de casa onde ela se sentou numa confortável poltrona. A idosa senhora não conseguia falar. Pálida e assustada balbuciava palavras desencontradas e sem nexo.

Trouxeram um copo de água com açúcar para acalmá-la. Assim, aos poucos Dona Nilma foi se relaxando e conseguindo colocar sua mente em ordem. Também, passou a se expressar com maior clareza.

Até então, ninguém sabia de nada, nem entendia nada. Nem conjecturas faziam do porque dessa situação inesperada e preocupante. Não havia motivo aparente já que ela não apresentava qualquer indício de que pudesse ter sido atropelada por um carro, levado um tombo, ou que outro acidente pudesse ter acontecido. Não havia ferimento em qualquer parte do corpo por Dona Nilma, não tinha febre nem se queixava de dor.

Após alguns minutos, já com Dirce presente a esfregar álcool caseiro em suas mãos e braços, a idosa senhora começou a falar claramente, e o que disse foi estarrecedor e verdadeiro já que, para quem a conhecia bem, sabia que ela não inventaria mentiras, nem uma história tão incrível.

Ela disse para Paulo e para as filhas:

“Levantei-me bem cedinho, ainda não eram 6,30. Fui ao banheiro, e quando voltava para o meu quarto, passei pelo de voces e as vi, minhas filhas, e constatei que dormiam um profundo e calmo sono. Bateu-me uma ternura danada. Mãe, vocês sabem como é, fica parecendo uma boba quando vê suas filhas, tão lindas e sadias, dormindo!

Eu sabia que logo acordariam, e a casa ganharia alegria e vida, e nessa bela manhã...

Depois, ao invés de ir para o meu quarto, fui para a cozinha preparar o café.

Passei-o no coador e o coloquei na garrafa térmica. Em seguida, saí e fui à padaria onde comprei pães bem quentinhos, uma bisnaga de sal para Antônia e pão doce para Dirce, pois sei que elas gostam disso. Também, queijo prato, presunto, e um pedaço de requeijão que tinha acabado de chegar.

Voltei para casa e coloquei tudo sobre a mesa, além das xícaras das duas, tudo bem “arrumadinho” para quando elas acordassem.

Em seguida, peguei minha roupa e minha toalha, e fui ao banheiro. Tomei um banho morno, e às 7,30 saí para a missa das 8,00 na Igreja de Nossa Senhora das Dores.

Subi a rua, e na esquina aqui de cima, me encontrei com minha amiga Zilda que não via há alguns dias, e conversamos por uns 10 minutos. Ela se queixou muito de dor no peito reclamando que devia ser o coração que não andava bem. Logo nos despedimos. Ela seguiu seu caminho, eu fui para a igreja.

A missa foi linda. O padre José fez um belo sermão falando sobre São Francisco de Assis, relatando sua vida, sua obra e sua santidade como exemplos de uma vida santa, de renúncia aos bens materiais, de amor à natureza, desde os animais, que amava, até o canto dos pássaros, e as formigas com as quais brincava e com elas se emocionava, até as plantas às quais chamava de plantinhas. Deslumbrava-se com o irmão sol e a irmã lua. Dedicou toda sua vida a cuidar dos mais humildes seres humanos que chamava de irmãos, e sofria junto com eles. Tudo por amor a Deus a quem respeitava, obedecia, e seguia seus ensinamentos e mandamentos sem questioná-los.

Cheguei a imaginar a tristeza que o Santo sentiria se vivesse hoje, vendo seus irmãos se matando por nada, vivendo numa sociedade que deixa longe Sodoma e Gomorra nos piores dias, destruindo a natureza, matando sem dó os animais que tanto amava, destruindo voluntariamente a Terra, sua própria casa dada por Deus. Sentindo o distanciamento entre os “homens”, a volúpia dos ambiciosos, os desmedidos poderosos querendo ser mais que Deus...

Aí, a missa terminou, e fiquei algum tempo a conversar com minhas amigas Filhas de Maria, e meus amigos Congregados Marianos. Depois, desci as escadarias devagar, e vim embora para casa.

Quando cheguei à esquina aqui de cima, aonde na ida havia encontrado com Zilda, encontrei-me com a Neuza, e foi um encontro muito surpreendente para mim que perguntei a ela, que tinha se mudado para um bairro bem distante daqui, o que ela fazia ali, já àquela hora da manhã.

Ela, com as feições tristes, e enternecida, carinhosamente tomou minhas mãos, e pesarosa me disse que estava indo à casa de Zilda para cumprimentar a família pelo falecimento dela na sexta feira passada...

TEXTO - O BANDIDO

O    B A N D I D O                                                                                                                05/ 09/ 09


Chegou no dia anterior, arrogante, dizendo ser, sim, o chefe da gang de traficantes da favela. E mais; “gosto de cheirar também!”

Livre dos grilhões das algemas, mas dentro, foi atônito e rápido aos quatro cantos da cela, e voltou ao centro dela parando ali, donde vislumbrava uma imaginária linha reta que se concretizava à sua frente, e o conduzia ao eixo da porta de grade que o encerrava dentro.

Recuou de marcha à ré até a parede dos fundos da cela, e tocou com as costas nuas o concreto úmido, bolorento e frio, rígido, pouco mais que seus músculos travados por uma contratura inconsciente, involuntária, carente...

O suor lhe brotava por todos os poros, e um ranger de dentes partia de dentro da sua boca trancada. Seus punhos, cerrados, duros como se feitos de baraúna, pareciam os de um lutador na hora de desferir um golpe. E nessa luta que travava contra o desespero, não achando o rosto do adversário, que na realidade era ele próprio, tentava se domar. Por pouco não desfaleceu ao, de repente, perder as forças, sem entregar-se ao tardio arrependimento que por acaso pudesse acontecer.

O efeito da última dose estava se esgotando. Dentro, sua mente gritava para todos em silenciosos e estarrecedores gritos. “Sou o mandante de todos os mandos, o comandante de todos os comandos!”

Enfim, ele era, para ele, o dono do mundo.

Tinha na sua mente inglória, uma falsa glória, uma falsa ilusão sobre o que é o verdadeiro poder.

Tudo porque, envolto por sua extrema ignorância, não via, do outro lado do véu translúcido, exatamente, a realidade dele. Sentia terrível medo inconsciente de a encarar. Sentia-se o eixo que suportava todas as forças contrárias que giravam em torno o tentando desequilibrar. “Sou o dono de todos os donos, sou forte e poderoso demais!...”

Sentia-se o “todo poderoso” pela imensidão que ainda fazia da sua figura dentro da sua mente insana, e não via que era, na verdade, o fraco pedestal onde toda sua imaginária força em falência se apoiava, e que ora ruía.

TEXTO - JALOUSIE

J A L O U S I E                                                                                                              21/ 1/ 2000

Saí de casa num tombo do sol.

Varei os cálidos ares daquela tarde / noite, sem roupas, nu, coberto apenas pelo nada que me cobria.

Nadei por sobre o asfalto, dantes pedras regulares que eu contei no espaço que meus olhos alcançaram, um dia, quando debruçado na soleira da minha janela.

Seduzido pelo ar leve e cálido, cheguei a um porto, onde grandes navios carregados de nada rodavam por sobre as águas do oceano turbulento.

Asas!

Eu tinha asas!

E as agitava enquanto bebia esse trago de bebida forte.

Sentia, lá das alturas, que sobrevoava uma cratera ..., e era muito profunda essa cratera.

E, na verdade, eu não estava nas alturas, estava a ver-me nas alturas no mesmo instante em que pisava firmemente as escarpas da cratera.

Todo esse irreal mundo era real naquele momento de total frenesi.

E era fantástico, também.

Enquanto corria por sobre copas de árvores, espetavam-me os agudos galhos secos que entremeavam essas árvores de copas frondosas.

E sempre encontrava-me no mesmo lugar..., correndo..., correndo..., parado..., correndo..., pasmo..., alucinado...

Só...

...Ali, debruçado na soleira da minha janela.

POEMA - OS TRILHOS E O TREM

OS TRILHOS E O TREM                                                                                        24/ 9/ 1999


Ali estão os trilhos,
Sozinhos, sem o trem.
E lá está o trem, parado,
Parado sem trilhos, o trem.
E para que servem os trilhos sem o trem?
E para que serve o trem sem os trilhos?
Os trilhos não existem sem o trem,
Como o trem não teria como andar sem os trilhos!
E para onde vão esses trilhos?
Será que vão a esmo, sem final?
E quando o trem anda nos trilhos,
Será por uma viajem banal?
Não pode ser!
Lá, lá longe deve ter um final...
...E nesse final deve ter gente
Gente que vai pegar o trem,
O trem que subiu nos trilhos.
Trem que trará gente que virá.
Trem que levará gente que irá.
Trem que carregará verdades.
Trem que levará e trará sonhos...
...E imagens que existirão só nas mentes,
De quem olha esses trilhos,
Mas, que nunca carregou esse trem...
...Só em sonhos...

TUDO FAZ CRER QUE SERIA POESIA

TUDO FAZ CRER QUE SERIA POESIA                                                                         25/ 4/ 1999


( O ser antes, descobrindo-se )


...E tudo sabia de mim...
...E eu não sabia de tudo...
Assim começava minha história
Que, se não fosse assim,
Não chegaria onde estou.
Não teria minha história.
Seria, apenas, uma estória.

( A mentira dentro do ser )

E, estória, no que me conta o dicionário,
É fábula.
Para mim, parceira eterna da história,
Que conta pelas fábulas,
Meias mentiras, meias verdades,
Os fatos que escondiam a verdadeira história.

( Os altos e baixos da vida / realidade e da fantasia )

Estou no cume da vida,
Morro abaixo vou morrendo.
Atravessei desertos, pântanos, montes,
Lagos, rios e oceanos.
Vaguei por entre florestas,
Descortinei lindas paragens,
Galguei o teto do mundo.
E, por fim,
Baixei às profundezas escuras das cavernas.

( A decepção do ser com o ser interior descoberto por ele. Doação e venda do que lhe resta da dura verdade descoberta. )

Objetos para os lados afastei,
Nada de matéria guardei,
A não ser meu próprio ser carnal.
Vendi doando meus dispersos bens
Por ser tudo inútil à minha história.
Seriam válidos na estória,
Más, viver só de estória,
Seria muito banal.
Não seria vida verdadeira.

( Com o que arrecadou mais o que lhe sobrou, adquiriu coisas
inúteis ou ruins )

Então, comprei e não paguei
Com moedas, minhas querelas.
E, mais caros ainda, meus temores.
E superfaturadas minhas fantasias doentes,
Minhas lucubrações, meus castigos.
Tudo insano e provocador,
E nunca forjados no amor.

( Eis que a vida lhe dá um presente! )

Más, pela lei da compensação,
Ganhei da vida uma mísera dose de néctar.
Essa dose incrível que nunca acaba.
Apesar de micro dose, ela perdura,
Como se fosse uma gota d’água que nunca secasse...
Seria minha história alada.

( E o ser se reconstroi )

Voaria como águia em torno de mim.
Traria em meu bico o alimento de minh’alma
E eu me alimentaria dessa fábula
Que o dicionário chamou de estória,
Más, que por fim, perpetuará minha memória,
No que, mais tarde, deixarei como minha história.
Vitória!

POESIA - SOMBRA E LUZ

S O M B R A     E     L U Z                                                                                                 11/ 10/ 1999


Vislumbra longe a “estrada” à tua frente.
Descuida um pouco do teu presente.
Fica na espreita; espreita tua mente.
Toma conta dos teus passos, mansamente,
Que num leve tombar de uma sombra,
Talvez mudes teu curso.


Falta agora o sol, a “estrada” é escura...
Sobram dúvidas atrozes...
Feras pelo “caminho” te espreitam...
E não adianta tentar fugir, elas estão lá
E te devorarão se estiveres desarmado.


Então, onde estão tuas armas?
Não sabes nem imaginas?
Pois, olha atrás de ti, bem atrás de ti! Aí está o que consideravas passado e morto, enterrado, esquecido...
Tudo o que aconteceu contigo durante tua “caminhada”.
Tudo o que construístes.
Todos a quem julgastes.
Tudo que fizestes, e o que não fizestes.
Tudo o que achastes e guardastes, ou destruístes...
De repente, te cuida, essas sombras do passado se tornarão em luz.
Essa luz será a única a iluminar o teu “caminho” que te levará ao teu norte.
Vê? Tua arma é teu passado.

POESIA - O DOMÍNIO

O     D O M Í N I O                                                                                                    09/ 03/ 2000

Dominas,
Sou dominado...


Ditas,
Eu escrevo...


Ordenas,
Eu obedeço...


Mas, sucumbes ante a vida...
Eu não.


Tens o mando da vida...
E eu, o do amor.

TEXTO - O NADA

O    N A D A                                                                                                                              14\ 5\ 03


Nada disso é isso e isso não é disso, nem daquilo..., nem daquele.

Nem ele é daquele como aquele não é dele, nem é aquele... será ele?

O nada é de ninguém como todos são do nada, e o nada é de nada. Todos são de tudo que é nada.

Os donos são propriedades. Como os proprietários que têm tudo, têm nada, só a matéria. E matéria diante do mistério “tudo partiu do nada”, é nada, principalmente quando a vemos diluir-se muito além dos átomos.

As idéias não são minhas, minhas são somente as que captei das idéias que assuntei de outras cabeças.

E tu, a quem pertences, a Deus ou ao diabo?

Lógico! A ninguém e a todos a um só tempo, menos a ti!

És nada e de nada formado. E nada não pertence!

Então, pela lógica, o nada volta, como no início, a ser o tudo, e o tudo acaba sendo o nada, como a propriedade. Só nos dá o direito de imaginariamente ter.

Com tudo isso, com todo esse nada que somos, somos todos de nada.

Tudo o que somos e temos são saídos do nada.

Portanto, nada somos, nada temos, nunca teremos e nunca seremos.

TEXTO - DIVIDIR

D I V I D I R                                                                                                                          14\ 3\ 03

Dividir o nada é dividir o vazio, do espírito à matéria, do saber à ignorância, da dor à alegria, da euforia à depressão, do enxergar à cegueira, do falar ao silêncio, do participar ao omitir-se, do...

O vazio é o meio desses extremos, portanto não poderia, nos vazios, existir o ser, o ser recheado de saberes, de dizeres, de ouvidos e de olvidos, de certezas e outros recheios próprios do ser.

TEXTO - O PODER

O     P O D E R                                                                                                                            14\ 3\ 03


Nunca do que posso, tudo uso.

Sempre no âmago me sobra enorme parcela a usar, de tudo; matéria, espírito, aura, saber, aprender, querer, amor...

Por isso, talvez pelos desencontros da sorte, dos azares, ou da falta de sorte, tão rara, sigo guardando-me mais do que deveria, e dando-me menos do que poderia.

TEXTO - MEIAS PALAVRAS

M E I A S P A L A V R A S                                                                                                    28\ 10\ 02


Meias palavras são perigosas, muito perigosas!

Por meias palavras podemos simbolicamente expressar uma palavra inteira, um pensamento, uma frase, uma história, uma opinião...

Só que a meia palavra deixa dúvidas no ar, por mais clareza que ela pareça ter e por mais certeza que tenhamos de que a entendemos toda.

Metade é metade, e pronto!

Aí, fica a interrogação! Já imaginaram o que é viver uma vida inteira à mercê de uma interrogação, que sabemos, nunca será respondida?

Talvez machuque mais que a palavra completa, ou a frase, ou a história, ou o pensamento, ou a opinião...

TEXTO - E DEUS REZA O "FILHOS MEUS"

E   D E U S   R E Z A   O   “F I L H O S   M E U S” 02\ 12\ 02

Filhos meus que estão na terra.
Perdoados sejam em Meu nome.
Venham ao Meu Reino sem vossos reinos.
Seja feita Minha vontade que aí na terra não se fez;
Estou em minha Morada.
O “pão” Meu de cada dia, dêem-me hoje.
Perdoadas sejam vossas ofensas.
Assim como vós perdoareis a quem vos ofendeis.
E não os deixarei caírem em tentação.
E livrados do mal sereis.

“MEMA”

TEXTO - PARTO

P A R T O

Parir. Dar à luz.

Quando abro os olhos pela manhã, ao parir as imagens da vida estou-me dando à luz da consciência, do amor, do pecado, do dia... Da vida.

Quando gota a gota um rio é formado, vai fecundar a terra que dará à luz um montão de partos. É a terra parindo vidas à vida.

Quando uma flor se abre, é a planta parindo cores e perfumes, entregando à luz toda sua beleza... Também aos nossos olhos, aos beija-flores, às abelhas... À vida.

Quando uma idéia se concretiza em ato, são pensamentos que a formaram parindo sentenças, se dando à luz dos homens, provocando polêmicas, promovendo o progresso... Alimentando a vida.

Quando trabalhamos, há a remuneração deste com dinheiro, dinheiro que trará à luz prazeres ao parir os desejos enclausurados no mais profundo da vida do ser materialista.

Quando...

Parto: É a vida parindo a vida, que vai parir vidas...

Mas, o mais belo dos partos acontece quando um filho dá à luz aquela mãe que, por algo próximo a nove meses o guardou, o alimentou, o acarinhou, se fez forma dentro dele, e o pariu para a vida.