quarta-feira, 21 de abril de 2010

TEXTO - JALOUSIE

J A L O U S I E                                                                                                              21/ 1/ 2000

Saí de casa num tombo do sol.

Varei os cálidos ares daquela tarde / noite, sem roupas, nu, coberto apenas pelo nada que me cobria.

Nadei por sobre o asfalto, dantes pedras regulares que eu contei no espaço que meus olhos alcançaram, um dia, quando debruçado na soleira da minha janela.

Seduzido pelo ar leve e cálido, cheguei a um porto, onde grandes navios carregados de nada rodavam por sobre as águas do oceano turbulento.

Asas!

Eu tinha asas!

E as agitava enquanto bebia esse trago de bebida forte.

Sentia, lá das alturas, que sobrevoava uma cratera ..., e era muito profunda essa cratera.

E, na verdade, eu não estava nas alturas, estava a ver-me nas alturas no mesmo instante em que pisava firmemente as escarpas da cratera.

Todo esse irreal mundo era real naquele momento de total frenesi.

E era fantástico, também.

Enquanto corria por sobre copas de árvores, espetavam-me os agudos galhos secos que entremeavam essas árvores de copas frondosas.

E sempre encontrava-me no mesmo lugar..., correndo..., correndo..., parado..., correndo..., pasmo..., alucinado...

Só...

...Ali, debruçado na soleira da minha janela.

Um comentário:

  1. Ah! como entendo esse voar na soleira da janela...
    Uma descrição fascinante que evoca o pensamento, de quem lê,e produz a mesma sensação de voar livremente...debruçada na soleira da janela...Parabéns ao autor!Achei lindo demais!Não é fantasia nem realidade,é simplesmente VOAR!

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